Educação

Os dólares sumiram! Porque o gringo tem tanto medo de investir no Brasil?

31 de julho de 2017

Uma das variáveis que pode contribuir significativamente para o desenvolvimento econômico de um país é o chamado IED – sigla que representa Investimento Estrangeiro Direto – que ocorre quando empresas situadas em outros países decidem se estabelecer no mercado local, investindo em instalações e em pessoal, a fim de competir nesse mercado. Esse interesse geralmente está associado à necessidade de crescimento dessas empresas, bem como as características oferecidas pelo mercado local, como matéria prima, tamanho da população, baixa competitividade, dentre outros.

Ao longo do último século as condições para que as empresas pudessem investir em outros países foram aprimoradas, sobretudo pelo avanço da tecnologia, que modificou por completo a vida das pessoas e a maneira de fazer negócios. Nesse sentido, alguns países apostaram nesse tipo de investimento como forma de desenvolvimento, e tiveram excelentes resultados. Um exemplo mais icônico é sem dúvida o da China (ou “Fábrica do Mundo” como ficou conhecida), que abriu seu mercado local na década de 70, oferecendo incentivos fiscais e mão de obra barata, combinado a investimentos robustos em infraestrutura, o que levou seu PIB a crescer entre 15% e 30% por mais de 20 anos – atualmente cresce “módicos” 6% e continua a ser o grande motor mundial.

Sem dúvida, como a história revela, a atração de empresas estrangeiras é uma estratégia capaz de gerar ganhos exponenciais para um país, mas afinal, como atraí-las? Antes de tudo é preciso entender que o grande vetor de atração de capital é o lucro. É o que o economista Adam Smith definiu como a “mão invisível da economia” no século XVIII, ou seja, o interesse individual faz com que os indivíduos compitam entre si, gerando o bem coletivo ao final. Dito isso, as empresas procuram ambientes estáveis e estruturados em que possam replicar seu modelo de negócios e explorar suas vantagens competitivas.

Outro ponto a considerar, é que investimentos dessa natureza têm uma característica de longo prazo, haja vista que em sua grande maioria são extensivos em capital. Logo, ao considerar dispor desses recursos, os acionistas dessas companhias levam em consideração não só a demanda para seus produtos e serviços, como também as condições do ambiente, como tributação, custo e qualificação da mão de obra, legislação, infraestrutura logística, dentre outros. E é em relação a esses aspectos que a nossa pergunta começa a ser respondida!

Ora pois! Se o Brasil é definitivamente rico em recursos naturais (sobretudo água), tem um clima favorável, tem uma demografia favorável (mais jovens e adultos que idosos), tem uma população robusta, tem alta capacidade de geração de energia, e principalmente, tem uma demanda premente, porque não conseguimos atrair o investimento estrangeiro de longo prazo?

A resposta é simples, porque eles não confiam em nós! E não é difícil entender o porquê! Somos ineficientes, não investimos em educação, tampouco em infraestrutura, temos uma tributação elevadíssima, além de complexa (com um sem fim de tributos, taxas e contribuições), e por fim, podemos ser considerados estruturalmente corruptos. Aliás, a corrupção está por trás de todos os outros problemas, mas isso não é tudo. Todos esses problemas se correlacionam formando um ciclo vicioso, e esse modelo se perpetua, o que nos faz merecer a alcunha de “País do Futuro”.

Com efeito, é muito fácil entender porque o gringo morre de medo de gastar seus dólares aqui. Contudo, a notícia boa é que ele continua desejando o Brasil. Não há precedentes no mundo em termos de potencial. Além disso, o mundo passa por um momento delicado, onde as principais economias estão em recessão há quase dez anos. Por isso, se conseguirmos consertar apenas algumas das nossas “jabuticabas”, ainda que o todo não seja resolvido (vai demorar!), conseguiremos atrair investimentos estrangeiros – e isso será determinante para construirmos a nossa história.

Por Danilo César da Silva – Analista de Investimentos da Faelba

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